26 de abril de 2012

A CARTA EUROPEIA DE TURISMO SUSTENTÁVEL: um caminho rumo à sustentabilidade


 
As Áreas Protegidas e/ou Classificadas são destinos cada vez mais valorizados e procurados por um nicho de mercado de visitantes em franca expansão. O desenvolvimento sustentável da atividade turística nestes destinos, mais do que uma estratégia de marketing ou uma “moda”, é uma necessidade e uma vantagem.

O desenvolvimento massificado e descontrolado do turismo nestes destinos para além de já não ser um modelo rentável, é uma forte ameaça para a conservação dos seus valores e recursos naturais mas, se for bem planeada, a atividade turística poderá constituir-se como uma importante ferramenta de conservação e de promoção do desenvolvimento do território, da população e das empresas locais.
Foi com o objetivo de promover o desenvolvimento e a gestão sustentável da atividade turística nos Espaços Protegidos e/ou Classificados, de modo a promover a preservação desde importantes espaços, que a Federação Europeia de Parques Nacionais e Naturais – Federação EUROPARC desenvolveu a metodologia Carta Europeia de Turismo Sustentável – CETS. 

A CETS é um certificado de excelência outorgado aos espaços protegidos ou classificados que se comprometem a desenvolver um turismo de qualidade, promotor da atividade económica, respeitoso e compatível com a preservação do meio ambiente e o bem-estar da população local. Até à data, este galardão foi atribuído a quase 100 territórios dispersos por 9 países europeus (Noruega, Finlândia, Inglaterra, Holanda, Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal).
Mais do que um galardão, a Carta Europeia de Turismo Sustentável é uma metodologia de planeamento que promove o desenvolvimento sustentado da atividade turística em territórios suscetíveis, fazendo da conservação e da proteção dos valores e recursos naturais existentes na área de implementação a sua mais-valia. A implementação da metodologia CETS é composta por um processo participativo que deve contar com a colaboração, acordo e acompanhamento contínuo da população local, empresários e entidades do território com interesse no setor do turismo.
A CETS tem-se revelado um instrumento útil na dinamização do desenvolvimento local e na mobilização dos agentes institucionais e económicos. Um território ao organizar a sua oferta e ao se integrar numa rede de espaços europeus de qualidade e sustentabilidade, promove um crescente interesse por parte dos agentes de viagens especializados na oferta de Turismo de Natureza, e desse modo, aumenta a perspetiva futura de negócio.

A CETS está dividida em três partes, a parte I relacionada com a adesão de Áreas Protegidas e/ou Classificadas, uma parte II relacionada com a adesão dos agentes económicos do setor do turismo (contando com mais de 260 parceiros em três países), e uma parte III (em preparação) que prevê a adesão das agências de viagens, completando desta forma o ciclo de oferta/procura da atividade turística.
Em Portugal existem quatro territórios com Carta, o Parque Nacional da Peneda Gerês e os Parques Naturais do Alvão, Montesinho e Douro Internacional. Para além destes encontra-se na fase final do processo de candidatura a Carta das Terras do Priolo na ilha de São Miguel. 



A Carta Europeia de Turismo Sustentável “Serras de Montemuro, Arada e Gralheira & Arouca Geopark” 


O território “Serras de Montemuro, Arada e Gralheira & Arouca Geopark”, abrangendo a totalidade dos concelhos de Arouca, Castelo de Paiva, Castro Daire, Cinfães, São Pedro do Sul, Sever de Vouga e Vale de Cambra, possui 168.970 hectares dos quais aproximadamente 50% se encontram ocupados pelas seguintes Áreas Classificadas:
  • Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 Serras da Freita e Arada;
  • Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 Serras de Montemuro;
  • Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 Rio Paiva;
  • Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 Rio Vouga;
  • Geoparque Arouca.
A importância crescente da Rede Natura 2000 no contexto comunitário como rede europeia de conservação da natureza (conferindo maior visibilidade no mercado europeu a estes destinos), o reconhecimento mundial da classificação Geopark da UNESCO e a riqueza natural, cultural e paisagística presente, fazem deste território um destino de turismo de natureza por excelência e direito próprio. Assim, desenvolver e promover este território como um destino turístico sustentável para um importante mercado de proximidade (a Área Metropolitana do Porto), como ainda para um crescente mercado de visitantes estrangeiros que chegam anualmente ao Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, é certamente uma aposta estratégica.
Neste sentido, a Direção da ADRIMAG, como ente que alberga todas as entidades com competência direta na gestão do território, deu início ao processo de candidatura das “Serras do Montemuro, Arada e Gralheira & Arouca Geopark” à Carta Europeia de Turismo Sustentável. Esta iniciativa apresenta-se como uma ferramenta de planificação que incentivará o desenvolvimento turístico deste território como uma unidade, tendo por base um processo participativo que incentivará as pessoas e entidades a sentarem-se à mesma mesa para discutir os mesmos problemas, procurando um entendimento quanto às soluções a implementar.
A imagem de todo este território como um único destino turístico, a inserção numa rede europeia de destinos de excelência, uma melhor organização da oferta turística, o reconhecimento da importância da população local e dos empresários no processo de planeamento e desenvolvimento da atividade turística, uma maior satisfação dos visitantes e um maior retorno na economia local da atividade turística, a promoção da preservação dos valores naturais e culturais do território… são apenas algumas das vantagens desta candidatura à CETS.
O território “Serras de Montemuro, Arada e Gralheira & Arouca Geopark”, centrado nos seus espaços naturais, reúne as condições necessárias para apostar no seu desenvolvimento sustentável com base no trinómio Ambiente/Turismo/Mundo Rural, estabelecendo a sua estratégia numa imagem de modernidade e com reconhecimento europeu, através do galardão Carta Europeia de Turismo Sustentável, que promova a consolidação da oferta turística junto dos nichos de mercado que melhor valorizem aquilo que o território tem para oferecer. 

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